serdapoesia:

eu observava a tua voz escorrer pela sala enquanto a gente ia falando das últimas mudanças, do tempo e da transitoriedade das coisas.
você parecia distante. tinha os olhos perdidos, difíceis de decifrar.
eu falava de como tudo doía em mim e perguntava se algum dia isso iria passar.
tem que passar, você disse baixinho, com um fio de voz, com um fio de esperança, com um fio de alguma coisa na qual a gente se prende sem nem mesmo saber o porquê.
tem que passar, não tem? você voltou a falar. dessa vez, arrastando cada uma de suas palavras, como se pudesse torná-las reais pelo simples fato de dizê-las.
tenho medo de que não passe, falei enquanto fechava os olhos, cansada demais pra conseguir juntar qualquer coisa que ainda pudesse sair da minha boca.
eu sei que tem.
e você realmente sabia.

Eduarda Paiva

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