E se eu começasse parar de culpar quem seguiu em frente? Quais seriam as sobras? Do que eu me alimentaria no dia seguinte que a história fosse digerida? Como as migalhas e me coloco em situações dignas de pena. Sinto tanta pena de mim, que prefiro me embalar na tristeza e fumar mais um maço de cigarro. Quanta angústia cabe em meu coração partido, quanta bebida e quanto choro aniquilando todas as esperanças de voltar viver minha vida. Comparo sua ida com o começo da minha morte; cada dia vou morrendo, falando baixinho que quero viver, mas prefiro o tormento. É mais fácil aceitar a tristeza, é mais fácil bater o pé no chão e dizer que os conselhos dos meus amigos estão errados. É melhor ficar na defensiva, do que encarar a realidade estapeando meu rosto delicadamente, com toda classe. Me coloco nesse lugar e culpo quem já se foi, quem já beija outras bocas, que tem o direito à vida. Vou esquecendo meus direitos, meus gostos, mas, brutalmente, de mim.
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